Afoxé Filhas de Gandhy promoveu Tríduo de Santo Antônio que atraiu fiéis e turistas

Foto: Divulgação/ Texto: Gilneide Costa

No Pelourinho, o mês de junho une a cultura baiana, espiritualidade, tradição e forró. As ruas e largos do Pelourinho são o palco dessas manifestações, firmando-o como berço da identidade local. E quem está em Salvador ou vem passear na capital baiana, tem a oportunidade de participar do Tríduo de Santo Antônio de Categeró (foi um escravo que se tornou o primeiro santo negro). A festividade foi preparada pelo Afoxé Filhas de Gandhy e aconteceu entre os dias de 19 a 21 de junho, em sua Sede, na Rua Maciel de Baixo, 51, Centro Histórico.

Ao conversar com Silvana Magda, coordenadora do grupo, ela explica que “a ideia de criar o tríduo veio de Gliceria Vasconcelos. Sua trajetória está intrinsecamente ligada à de Gilberto Nonato Sacramento (Negão de Doni), que teve sua passagem em 2000. Ela esteve presente na instituição desde o início e, a partir de 1984, tornou-se seu braço direito. Após a morte de Gilberto em 2000, Gliceria assumiu a presidência, e a promessa a Santo Antônio de Categeró surgiu nesse contexto de liderança e devoção. Desde o ano passado, Gliceria tem adaptado e trazido o lado cultural desse rico legado para as Filhas de Gandhy, buscando atrair mais pessoas para essa herança”, contou.

Os fiéis que participam do tríduo são aqueles que compartilham a crença de que o primeiro santo negro conseguiu superar grandes adversidades. Essa convicção na força da superação e na energia de Santo Antônio de Categeró é o que os move e os une nessa celebração.

Após cada noite do tríduo, foi oferecido um cardápio preparado em homenagem à rica culinária africana. A escolha dos pratos reflete a origem africana de Santo Antônio de Categeró, conectando a fé aos sabores ancestrais e à identidade cultural.

Ainda de acordo com Silvana, “por quase 30 anos, a celebração de Santo Antônio de Categeró contou com mínima ou nenhuma ajuda pública direta. No entanto, este ano, houve um avanço significativo: o projeto “Sons da Independência” foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia. Isso garantiu o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura – Governo Federal. Esse patrocínio foi fundamental para a contratação de profissionais de diversas áreas, que abrilhantaram as rezas e apresentações, além de permitir uma ampla divulgação nas redes sociais, atraindo mais público e turistas para o tríduo”, citou.

Para 2026, a organização está focada em realizar mais ações e oficinas culturais antes das rezas, e também em adicionar novos elementos à celebração, buscando enriquecer ainda mais essa manifestação de fé e cultura para atrair novas pessoas e tornar a festividade mais conhecida e frequentada.

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