
Uma das principais iniciativas de valorização da capoeira e da cultura afro-brasileira, o prêmio Berimbau de Ouro irá celebrar sua 13ª edição entre os dias 26 e 28 de fevereiro, em Salvador. Neste ano, o evento prestará homenagem ao secretário de Cultura de Santos, Rafael Leal, em razão do trabalho em prol da cultura preta desenvolvido no município paulista.
Publicitário, Rafael tem pós-graduação em Marketing e Gestão Pública, tendo estudado na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele ingressou na Prefeitura de Santos em 2013, por meio da Secretaria de Cultura, em que passou a desenvolver e implementar políticas públicas voltadas ao fomento cultural, à democratização do acesso aos recursos culturais e à valorização das expressões artísticas locais. Em 2017, assumiu a Secretaria de Turismo, o que fez dele o mais jovem gestor a liderar a pasta até então. No ano seguinte, foi finalmente nomeado secretário de Cultura.
À frente do órgão, consolidou ações estruturantes destinadas à promoção da cultura preta e periférica. Por meio de editais públicos, como o Concurso Santos Arte Preta, e de chamadas públicas de projetos vinculadas à Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), ampliou o acesso de artistas negros, coletivos independentes e fazedores de cultura das regiões periféricas aos recursos culturais, promovendo assim equidade e fortalecendo a diversidade cultural naquele município.
Além de Rafael, será agraciado com o Berimbau de Ouro o mestre Sombra, em reconhecimento ao papel desempenhado à frente da Associação Senzala de Santos, referência na capoeira Angola. Ao todo, a 13ª edição do prêmio deve reunir cerca de 400 participantes, entre mestres, pesquisadores, autoridades, artistas e representantes da cultura popular. A programação está dividida entre o Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho, e o Forte da Capoeira, no largo do Santo Antônio Além do Carmo.
Realizado desde 2013, o evento nasceu com o objetivo de dar visibilidade a mestres e agentes culturais que, apesar de sua atuação relevante nas periferias de Salvador e no interior da Bahia, permaneciam em situação de invisibilidade social. A iniciativa foi idealizada pelo mestre Máximo, capoeirista de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, com mais de seis décadas de atuação.
Programação cultural e formativa
A abertura oficial do 13º Berimbau de Ouro ocorrerá em 26 de fevereiro, com boas-vindas do mestre Máximo, exibição de vídeo sobre o homenageado e mesa presidida pelo Prof. Dr. Mestre Tchê (UFPE). A programação inclui as participações do secretário de Cultura de Santos, Rafael Leal; do mestre Braga, que abordará a capoeira Angola na Suíça; de Cely de Pastinha; da deputada distrital Jaqueline Silva (DF), que falará sobre apoio a projetos culturais; e do cineasta Toninho Muricy, com apresentação do filme ‘Pastinha: Uma Vida pela Capoeira’.
No dia 27, a programação segue com a cerimónia de entrega das estatuetas; abertura com a bateria da ABCA, liderada pela mestra Lene; apresentação do Coral de Santo Amaro da Purificação; e roda de capoeira Angola. O encerramento será no dia 28, no Forte da Capoeira, com a exibição comentada do filme sobre Pastinha, como parte de uma mostra especial de cinema acerca da memória da capoeira.



