
Nesta terça-feira, 29 de abril, Nana Caymmi completa 84 anos. Filha de Dorival Caymmi, Nana também cantou a obra que eternizou paisagens e personagens e inventou uma ideia da Bahia. Embora não tenha nascido em solo baiano, Nana fez da canção de sua terra paterna um dos pilares de sua carreira, colocando sua voz a serviço de uma memória afetiva que atravessa gerações.
Com uma discografia marcada pela coerência estética, pela precisão dos arranjos e por interpretações únicas, Nana Caymmi é, desde os anos 1970, uma das maiores intérpretes da música brasileira. Entre boleros, sambas-canção e canções de amor e desilusão, a cantora construiu um repertório sofisticado, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes aos contemporâneos que souberam dialogar com sua entrega vocal sem excessos, mas cheia de intensidade.

Entre seus registros mais tocantes estão justamente aqueles em que revisita a obra do pai, como em “O bem do mar” ou “Acalanto”.
Nana nunca perseguiu o sucesso fácil, nem se dobrou às modas da indústria. Sua carreira é feita de escolhas firmes, muitas vezes contracorrente, mas sempre conectadas à música brasileira em suas raízes e processos de maturação — aquela que é feita com alma, silêncio e saudade. Em sua voz, a Bahia de Dorival ganha outra cor, uma outra sombra — menos solar, talvez, mas igualmente intensa. Para celebrar o aniversário da artista, sugerimos abaixo dois discos essenciais e dez canções que traduzem um pouco da beleza e da melancolia dessa trajetória singular.
Dois álbuns para conhecer Nana Caymmi:

Mudança dos Ventos (1980)

Bolero (1993)
Dez canções para escutar hoje:
Acalanto (Dorival Caymmi)
Resposta ao Tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc)
Beijo Partido (Toninho Horta)
Se Queres Saber (José Fernandes de Paula)
O Bem do Mar (Dorival Caymmi)
Só Louco (Dorival Caymmi)
Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle)
Suave é a Noite (Henry Mancini / Johnny Mercer – versão: Nazareth)
Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime)
Eu e a Música (Suely Costa e Abel Silva)
P.s.: e se você não conhece Nana, a gente também recomenda a entrevista que ela deu ao Roda Viva.



