Nana Caymmi: 84 anos de voz, memória e Bahia
Nana Caymmi. Foto: Ricardo Borges /Folhapress

Nesta terça-feira, 29 de abril, Nana Caymmi completa 84 anos. Filha de Dorival Caymmi, Nana também cantou a obra que eternizou paisagens e personagens e inventou uma ideia da Bahia. Embora não tenha nascido em solo baiano, Nana fez da canção de sua terra paterna um dos pilares de sua carreira, colocando sua voz a serviço de uma memória afetiva que atravessa gerações.

Com uma discografia marcada pela coerência estética, pela precisão dos arranjos e por interpretações únicas, Nana Caymmi é, desde os anos 1970, uma das maiores intérpretes da música brasileira. Entre boleros, sambas-canção e canções de amor e desilusão, a cantora construiu um repertório sofisticado, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes aos contemporâneos que souberam dialogar com sua entrega vocal sem excessos, mas cheia de intensidade.

Dorival e Nana. Foto: Chico Ybarra / Agência O Globo

Entre seus registros mais tocantes estão justamente aqueles em que revisita a obra do pai, como em “O bem do mar” ou “Acalanto”.

Nana nunca perseguiu o sucesso fácil, nem se dobrou às modas da indústria. Sua carreira é feita de escolhas firmes, muitas vezes contracorrente, mas sempre conectadas à música brasileira em suas raízes e processos de maturação — aquela que é feita com alma, silêncio e saudade. Em sua voz, a Bahia de Dorival ganha outra cor, uma outra sombra — menos solar, talvez, mas igualmente intensa. Para celebrar o aniversário da artista, sugerimos abaixo dois discos essenciais e dez canções que traduzem um pouco da beleza e da melancolia dessa trajetória singular.

Dois álbuns para conhecer Nana Caymmi:

Mudança dos Ventos (1980)

Bolero (1993)

Dez canções para escutar hoje:

Acalanto (Dorival Caymmi)

Resposta ao Tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc)

Beijo Partido (Toninho Horta)

Se Queres Saber (José Fernandes de Paula)

O Bem do Mar (Dorival Caymmi)

Só Louco (Dorival Caymmi)

Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle)

Suave é a Noite (Henry Mancini / Johnny Mercer – versão: Nazareth)

Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime)

Eu e a Música (Suely Costa e Abel Silva)

P.s.: e se você não conhece Nana, a gente também recomenda a entrevista que ela deu ao Roda Viva.

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