Palco  tradicional das manifestações culturais da Bahia,  São João do Pelourinho vai deixando saudades 

Foto: Amanda Chang/ Texto: Jefferson Barbosa

Se as pedras do Pelourinho pudessem falar, o que diriam?  Se fosse nuvem de palavras não faltaria: alegria, dança, fé, animação,  forró, paquera, energia positiva e muita, muita música.  É triste escrever isso, mas chegou o sexto e último dia de festa. O São João do Pelourinho 2025 vai se despendindo do Pelô, palco genuíno de manifestações raízes da cultura baiana nesta terça-feira, 24, dia de São João. Mas quem ainda está pelo Pelourinho nestas horas finais da festa não parece querer ir embora. 

No entanto, diante do fim é preciso aproveitar até o último instante, essa festa que para o baiano é uma grande celebração que une fé, alegria e forró no pé. A fisioterapeuta, Amanda Pinto Sampaio,  38, e a administradora, Zaide Martins Valladares,  38 anos, vieram se despedir com o coração apertado. 

Amanda,  veio na quinta e voltou nesta terça-feira, 24, para curtir o forró de Santana mesmo com uma chuva insistente que  começou a cair no final de tarde, início de noite. “Todos os anos venho aqui. E no último a alegria por vivenciar essa festa baiana vem com a sensação de que está acabando e tem que aproveitar até o último minuto. Uma celebração muito legal com crianças idosos, todas as idades curtindo juntos, sem confusão” . 

Quem também está triste pelo fim da festa  é a cabeleireira,  Vânia  Silva, 32 anos. Com as amigas, Thaiala Santos, 35 anos,  e Ivana Santos, 58 , ela garante que vai  aproveitar a  última noite  do Pelourinho transformado em palco do forró até o apagar das luzes. 

“Muita tristeza, porque o São João é a festa mais animada do Salvador. A gente espera até o São João mais do que o Carnaval, porque o São João é mais tranquilo, mais organizado. O governo faz os investimentos na nossa cidade.  O São João é alegria pura, não tem outra, São João! Viva! Viva!” , comenta ela. 

Já a amiga, a comerciante,  Ivana Santos, 58 anos está mais conformada pelo final da festa.”São João para  mim é sempre bom, porque eu sou uma eterna festa, eu amo festa, e São João pra mim não é diferente. A melhor festa que a gente tem é São João. Mas quando  a festa  acaba, vamos fazer o quê? Ir para os lençóis”,  fala ela brincando e fazendo trocadilhos com sua cidade natal.  

Botando literalmente  a cara e o corpo na chuva,  a decoradora, Sharon Silva,  42 anos, também está  triste pelo clima de despedida que vai tomando conta, mas não deixa a animação diminuir. 

“Nossa Senhora, eu curto São João aqui no Pelourinho há mais de 5 anos direto. Hoje, em especial,  eu vim ver Limão com mel. Vim três dias  e esse clima de fim de festa vai dando um aperto aqui dentro. Porque o Pelourinho é muito acolhedor. Está tudo muito lindo, muito colorido.  Eu venho e recomendo:  é muito seguro, tem muita criança, tem muita família, muita gente brincando. Você não vê uma cara feia.  Se você empurra, é um pedido de desculpa e tudo bem. É muito  diferente, é muito diferente do Carnaval.”

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