Salvador inaugura o primeiro Jardim Etnobotânico do Brasil, celebrando biodiversidade e ancestralidade afro-brasileira
Foto: Divulgação.

No Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), Salvador ganhou um novo espaço de conexão com a natureza e com suas raízes culturais: o Jardim Etnobotânico. Instalado no Jardim Botânico da cidade, no bairro de São Marcos, o espaço convida os visitantes a percorrer uma trilha ecológica de 800 metros por entre espécies vegetais associadas a divindades das religiões de matriz africana.

Ao longo do percurso, 14 espaços temáticos combinam informações botânicas e culturais, promovendo o conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e o fortalecimento da memória afro-brasileira. Plantas como pimenta-malagueta, caruru, guiné, arruda, camará e guaimbê são algumas das espécies cultivadas na área.

O conteúdo informativo da trilha foi elaborado em parceria pelas secretarias municipais de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e da Reparação (Semur). A proposta é valorizar saberes tradicionais, práticas religiosas e o uso ancestral das plantas medicinais e rituais.

Entre os destaques do percurso estão espaços como a “Árvore dos Ancestrais”, a “Encruzilhada do Mensageiro” e o “Caminho dos Metais”. A encruzilhada, por exemplo, é dedicada às divindades Exu, Nzila e Legbá. O local, antes uma antiga caixa d’água, foi transformado em monumento pelo artista visual Bel Borba, que também assina a obra de entrada do Jardim, chamada “Portão de Exu” — uma referência ao orixá da comunicação, mensageiro entre os mundos espiritual e material.

Outro espaço simbólico é o “Curso das Águas-Mães”, que reverencia divindades como Osun, Iyemonjá, Kayala, Azlí Kayá, Togbosi e Ndandalunda, ressaltando a força da fluidez feminina e a fecundidade da vida. Já a área “Anciã do Saber Atemporal” homenageia entidades ligadas à sabedoria ancestral, como Nanã, Nzumba e Nã Buku.

“Ter um Jardim Etnobotânico em Salvador representa não apenas a preservação da área verde, mas o reconhecimento da importância histórica, religiosa e cultural das religiões de matriz africana. É um passo significativo para a valorização da nossa identidade e ancestralidade”, destacou a secretária da Reparação, Isaura Genoveva.

Para o prefeito Bruno Reis, o novo espaço traz um diferencial importante entre os parques botânicos do país. “Não se trata apenas de preservar espécies da Mata Atlântica. Aqui, associamos a vegetação a símbolos da religiosidade afro-brasileira, fortalecendo o vínculo entre cultura, espiritualidade e meio ambiente”, afirmou.

Foto: Ascom.

Visitação
O Jardim Botânico de Salvador funciona de segunda a sábado, das 8h às 17h, com entrada gratuita. Visitas guiadas são oferecidas às terças, quartas e quintas-feiras, nos turnos da manhã e da tarde. Grupos interessados devem agendar previamente pelo telefone (71) 99676-7934 ou pelo e-mail plantio@salvador.ba.gov.br.

A gestão do espaço orienta que os visitantes usem calçados fechados e evitem o depósito de resíduos orgânicos, a fim de preservar a fauna e a flora local. Manifestações artísticas também devem ser autorizadas previamente para garantir a integridade do ecossistema.

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