São João do Pelô: O Xadrez Reinante e a Diversidade que Conquista as Ruas

Fotos e Texto freelancer: Jefferson Barbosa

Se em todo São João que se preze o milho verde é presença indispensável, outra marca registrada desta época são as roupas e maquiagens típicas. Entre elas, o xadrez se destaca como o preferido, trazendo charme e alegria para quem curte os festejos.

Pelas ladeiras, ruas e vielas do Pelourinho, a versatilidade do xadrez é evidente. Ele aparece em diversas combinações de cores – amarelo e preto, vermelho e azul –, adornando looks complementados por laços, chapéus de palha, boiadeiro, cangaceiro e até mesmo modelos popularizados por artistas. O importante é a diversão.

Na família da professora soteropolitana Joyce Paixão Ferreira, de 35 anos, a produção junina é um compromisso de todos, especialmente das crianças. Maria Vitória Araújo, de 2 anos, e Danilo Araújo, de 3, exibiam looks caipiras que encantavam. Maria Vitória, com seu vestido de chita e rendas, usava brincos de cactos e laços no cabelo, enquanto o pequeno Danilo vestia a tradicional camisa xadrez preta e vermelha, gravatinha de bandeirolas e um chapéu de cangaceiro. O pai, Daniel Araújo, analista de manutenção, optou por um chapéu similar ao usado pelo cantor Natanzinho. “A intenção é trazê-los para se divertirem, e a gente entra na brincadeira”, afirmou. A avó, Edmeire da Paixão Ferreira, completou o time com um look Maria Bonita, de chapéu e colete. “Aqui o São João é raiz. É pura cultura”, comentou.

A sintonia na moda junina pode ir além do planejado. É o que aconteceu com as amigas Andréa Matos, de 55 anos, e Carla Barbosa, de 56. Elas garantem que a combinação de seus looks foi pura coincidência, uma questão de energia. “Nada, nada. A gente não trocou ideia, foi coincidência mesmo, foi a nossa energia”, disse Carla, que complementou o visual com uma rosa de crochê no pescoço e um coturno, mais confortável que as botas tradicionais. Já Sérgio Loureiro, 52 anos, gerente de vendas e marido de Andréa, priorizou o conforto: escolheu um short e camisa básica de malha para aproveitar o São João com liberdade.

A criatividade também se manifesta nos looks exclusivos. A estudante Ana Carolina Plácido, de 18 anos, desfilou uma saia e um cropped em xadrez e rosa, criados por sua mãe, Marília Santos Silva. “Ela queria vir a caráter, com uma mistura de moderno e tradicional, então saiu essa combinação”, conta Marília, enquanto curtia a festa na Praça das Artes rodeada pela família.

Na ladeira Gregório de Matos, a loja Baiano Artesanato, do comerciante Demir Santos, sentiu o aumento das vendas. “Com esse movimento, a procura por chapéus aumentou bastante, principalmente o modelo nordestino e o cangaceiro”, observou Demir. Os preços das peças variam de R$ 70 a R$ 120.

No São João do Pelourinho, que celebra o encontro e a diversidade, a moda que vale é aquela que traz conforto e alegria. Que a diversão e a celebração cultural sejam sempre as principais peças a serem usadas por todos.

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