São João no Pelô: Entre forró, paquera e corações à procura de um dengo

Foto e Texto Freelancer: Jefferson Barbosa

Friozinho, forrozinho, comidinhas típicas e bebidas que aquecem a alma. No São João do Pelourinho, tudo conspira para criar um clima gostoso, propício para sorrisos, conversas ao pé do ouvido e, quem sabe, um chamego. A festa junina se revela, mais uma vez, o palco perfeito para a paquera e para o tão desejado “dengo”.

É o que garante o administrador Daniel Silva, 45 anos, com um brilho nos olhos. “Aqui está um clima gostoso pra dançar agarradinho, dar um cheirinho no cangote, claro, se tiver a permissão. Se sim, simbora, vamos pra cima: dançar coladinho, agarradinho, no chamego com manhinha!” Ao seu lado, a amiga Gislaine Lima, 38 anos, concorda em meio a risos. “O São João é mesmo bom demais para conhecer gente. O arrocha, o forró, o corpo a corpo, tudo favorece. É bom demais”, elenca ela, enquanto Daniel, ouvindo a conversa, já ensaia suas próximas frases de impacto.

Nem todos os romances nascem entre fogueiras e bandeirinhas, mas o São João do Pelourinho é cenário de bênçãos para os apaixonados. A advogada Janaina Matos, 32 anos, e o cantor Leo Abreu, 36, que se conheceram no Carnaval, vieram pedir as bênçãos dos santos juninos, acompanhados de sua cadelinha Malu, da raça Yorkshire, devidamente caracterizada com figurino e adereços juninos. “Estávamos em casa, lá na Pituba, e pensamos: bora lá pro Pelourinho namorar sob as bênçãos de São João e cá estamos”, conta Janaina, reforçando o clima romântico.

Para abençoar uma união que já soma cinco anos, o casal Aimea de Carvalho Alves Pereira, 27, e Matheus Pinheiro Santana, 28, também compareceu à primeira noite. Extremamente animados, pareciam ainda em lua de mel, rodopiando em um forró de respeito no Terreiro de Jesus, com Matheus conduzindo Aimea em passos cheios de paixão. “Essa é a nossa primeira noite aqui. Pretendemos vir nos outros dias. Estamos nos programando. Ele é mais forrozeiro do que eu. Adora dançar!”, revela Aimea, enquanto o marido completa: “Vamos aproveitar muito. Vou forrozear coladinho com minha mulher e aproveitar a noite inteirinha.” Questionado sobre a fama de “forrozeiro pé de serra” revelada pela esposa, ele nega veementemente: “Ó, isso aí não procede. Desconheço essa informação.” Mas, a essa altura do campeonato, quem vai acreditar?

A voz das solteiras e solteiros do São João

Se para todo pé cansado há uma chinela, ou para toda panela uma tampa, as ladeiras do Pelourinho revelam que a mulherada está produzida e pronta para a diversão, sempre de olho na possibilidade de topar com um “mozão” ou um contato especial que possa levar a algo mais sério. É o que pensam as três amigas caminhando pelas proximidades da Casa de Jorge Amado.

“Aqui em Salvador não está fácil, não. Mas vai que acontece. Eu não saí com esse único objetivo, mas vai que topo com o amor da minha vida. Foi assim com o pai da minha filha. Quem sabe não ocorre de novo”, comenta a operadora de telemarketing Priscila Santana de Lima, 33 anos, toda produzida e balançando suas tranças.

As amigas, Taísa Moraes e Débora Maria Conceição, ambas de 33 anos, compartilham da mesma “vibe”. “Estamos abertas ao que vier e vai que algo interessante aconteça, afinal, tudo é possível”, completa Débora.

Ainda mais quando o friozinho, o forró contagiante e o clima de alegria se unem ao licor de maracujá que Taísa trouxe de casa, para deixar o pensamento mais suave e aberto a novas percepções. Que o São João abençoe, promovendo encontros de corações para que, em breve, possamos todos gritar: “Olha o namoro! É verdade!”

A reportagem bem que tentou registrar algum depoimento da ala masculina, mas os homens preferiram não se pronunciar até o momento.

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