
Fotos e texto freelancer: Jefferson Barbosa
Uma festa como o São João, que mistura arte, religiosidade, tradições e cultura popular, sempre ocupa um lugar especial em nossas memórias afetivas. O São João do Pelourinho está repleto de atrações musicais que servem como verdadeiras trilhas sonoras para esses momentos, chegando para construir lembranças alegres e duradouras.
A equipe do “O Que Fazer em Salvador” percorreu as ruas do Centro Histórico, descendo e subindo ladeiras, atravessando o Terreiro de Jesus e chegando à Praça da Sé, em busca de pessoas com memórias desta linda festa.

O soteropolitano e instrumentista Diego Ribeiro Pinto, de 39 anos, e sua esposa, Jaqueline Figueiredo da Silva, de 28, curtiam o São João com o pequeno Luiz Henrique da Silva, de sete anos. “A lembrança mais recente que tenho era dos primeiros passos do meu filho, aos dois anos, durante um São João aqui. Na época, no Terreiro de Jesus, ele ficou com medo de cair ao passar por uma estrutura montada especialmente para a festa. Foi bonito ver ele ali descobrindo o mundo”, conta o pai. Diego ainda relaciona a festa às suas memórias, lembrando que mesmo antes de casar sempre fez questão de comparecer. “Eu sou frequentador daqui, todo São João eu venho. Tiro dois, três dias para passar aqui, para curtir com a família, que é bem tranquilo. É um ambiente familiar, e hoje tenho a alegria de passar essa tradição para meu filho.”

Casadas há 30 anos, a podóloga Sueli Aparecida Pereira, de 51, e Maria José, a Zezé, de 60, escolheram viver em Salvador. Nos festejos de São João, costumavam viajar para o interior. Com familiares em Cruz das Almas, Sueli conta que, durante a festa, que no interior dura quase todo o mês, todos os “festeiros” vão passando de casa em casa, compartilhando comida, muita música e alegria, numa verdadeira festa raiz. “Este ano, porém, fizemos diferente. Como foi um feriado maior com o Corpus Christi, preferimos não pegar a estrada por causa do alto fluxo de gente viajando. Embora moremos há anos em Salvador, ainda não tínhamos vindo aqui durante um São João. E devo dizer que estou achando a festa linda. A decoração, as pessoas caracterizadas, as ruas. Está muito bonito de ver, um cenário perfeito para construirmos memórias.”
A esposa, Zezé, natural de Araci, também diz estar encantada com a forma como a cidade se transforma, comenta ela enquanto caminhavam na Rua Chile, em direção à Praça da Sé. “A cidade que já é bela está ainda mais bonita. Olhem essa decoração!”, elogia.

Outro casal com quase 40 anos de convivência — 35 deles casados — que tem memórias no São João é a jornalista Elaine Varjão, de 60, e o coronel reformado da PM Roberto Guimarães, de 65.
“Eu tenho muitas festas de São João que trago de memórias afetivas em meu coração. Uma delas é o Arraiá da Capital, que era um evento que acontecia no parque de exposições daqui. A gente ia muito com as crianças pequenas. Era uma tradição, uma festa”, relembra Elaine, evocando o tempo em que as filhas eram pequenas. Hoje, enquanto passeavam pelo Terreiro de Jesus, eles revelaram estarem ansiosos para construir novas memórias nos São Joões que ainda estão por vir, afinal, um novo membro da família está a caminho: o primeiro neto. “Sempre fazíamos de tudo, ora viajando, ora curtindo a programação das cidades quando nossas filhas eram pequenas. Hoje, uma delas está para ter bebê e por isso preferimos não viajar, para ver o nosso neto chegar”, fala o avô “babão”, à espera do novo membro da família com quem querem construir novas lembranças juninas. “E já tem até nome: Antônio!”, revela o avô. Por falar em Antônio, esse nome nos lembra festa junina, junho, Salvador, festa de São João!
O “O Que Fazer em Salvador” deseja que todos revisitem suas memórias e construam novas experiências memoráveis. Viva São João!



